Autoestima e apps de namoro: os matches não definem o seu valor
Poucos matches, conversas que morrem no segundo dia, um perfil que parece invisível: é fácil fechar o app se sentindo menos. Mas o número que aparece na tela diz muito pouco sobre quem você é. Veja o que realmente pesa nos matches, como lidar com a rejeição e como usar os apps de namoro sem deixar que eles machuquem a sua autoestima.
O que os matches medem, e o que não medem
Um match acontece quando duas pessoas olham, em poucos segundos, para algumas fotos e umas linhas de texto e decidem arriscar. Muita coisa entra nessa conta, e quase nada dela tem a ver com o seu valor.
- Horário: quem está on-line quando você está, e se a outra pessoa abriu o app num dia bom ou num dia cansativo.
- Distância: a quantidade de gente por perto muda muito de uma região para outra. Numa cidade pequena, o leque é naturalmente menor.
- Fotos: luz, ângulo e enquadramento pesam mais do que deveriam. Uma foto escura diz pouco sobre você e muito sobre a câmera.
- Momento de vida: a outra pessoa pode estar procurando algo diferente agora, saindo de um término ou só passando o tempo.
- Sorte: a ordem em que os perfis aparecem, quem viu você primeiro, quem estava com pressa.
Nada disso mede o seu humor, a sua gentileza, o jeito como você cuida das pessoas ou a boa conversa que você sabe ter. Essas coisas aparecem depois, e são elas que fazem diferença numa relação.
A armadilha da comparação
É comum olhar para o amigo que "vive dando match" ou para perfis que parecem perfeitos e concluir que o problema é você. Só que essa comparação é injusta desde o começo.
- Perfis são vitrines. As pessoas escolhem as melhores fotos, os melhores ângulos e, às vezes, filtros. Você está comparando o seu dia a dia com o melhor momento dos outros.
- Número não é resultado. Muitos matches não significam boas conversas, e menos ainda encontros que valem a pena. Um único match com quem combina com você vale mais do que dezenas que não levam a nada.
- Cada pessoa busca uma coisa. Quem quer algo casual e quem quer namoro usam o app de jeitos diferentes. Saber o que você procura ajuda a medir com a régua certa, e o texto sobre relação séria ou casual pode ajudar nessa reflexão.
Se for para comparar, compare com a sua própria trajetória: o perfil de hoje com o de três meses atrás, a conversa de hoje com as primeiras que você teve.
Rejeição faz parte, e muitas vezes não é sobre você
Ninguém gosta de ficar sem resposta, e dói um pouco mais quando a conversa parecia estar indo bem. Mas rejeição em app de namoro faz parte da rotina de todo mundo que usa, inclusive de quem parece fazer sucesso.
As pessoas deixam de responder por motivos que você nunca vai saber: começaram a sair com alguém, ficaram sem tempo, desistiram do app, se sentiram inseguras. O sumiço sem explicação tem até nome, e falamos dele no texto sobre ghosting.
- Um não é informação, não sentença. Ele diz que aquela combinação não funcionou naquele momento, e só isso.
- Não tente adivinhar o porquê. Criar teorias sobre o que você fez de errado costuma machucar mais do que ajudar.
- Dê a si o crédito de ter tentado. Mandar a primeira mensagem ou chamar alguém para sair exige coragem.
Sinais de que o app está fazendo mal
Apps de namoro podem ser um jeito leve de conhecer gente. Quando começam a pesar, o corpo e o humor costumam avisar antes. Preste atenção se você:
- sente ansiedade antes de abrir o app ou fica checando as notificações o tempo todo;
- rola perfis sem parar, quase no automático, sem nem ler o que as pessoas escrevem;
- se sente pior depois de usar, e não melhor;
- perde horas de sono deslizando perfis tarde da noite;
- mede o seu dia pelo número de matches ou de respostas;
- deixou de fazer coisas de que gosta para ficar no app.
Nenhum desses sinais quer dizer que você está fazendo algo errado. Eles só mostram que está na hora de mudar a forma de usar.
Como usar o app a seu favor
- Limite o tempo. Escolha uma janela curta por dia, por exemplo 20 minutos depois do jantar, e feche o app quando ela acabar. O Tempo de Uso, no iPhone, e o Bem-estar digital, no Android, ajudam a definir limites.
- Desligue notificações desnecessárias. Você abre o app quando quiser, não quando ele chama.
- Faça pausas. Dar um tempo não é desistir. No Sigilus, o modo invisível tira você do Descobrir, e os matches continuam funcionando: dá para descansar sem perder as conversas que importam.
- Foque em poucas conversas. Duas ou três conversas com atenção rendem mais do que vinte pela metade.
- Atualize o perfil pensando em você. Escolha fotos em que você se reconhece e um texto com a sua voz, não com o que você acha que os outros querem ler.
- Cuide da vida fora do app. Amigos, sono, movimento, hobbies e planos que não dependem de ninguém. Quanto mais cheia a sua vida, menos peso cada match carrega.
Quando buscar ajuda
Às vezes, o desânimo com os apps é só a ponta de algo maior. Se a tristeza dura semanas ou atrapalha o sono, a alimentação, o trabalho ou a vontade de ver pessoas, vale conversar com um profissional de saúde mental, como um psicólogo ou uma psicóloga.
Se estiver difícil agora. O CVV atende pelo telefone 188, 24 horas, de graça, para quem precisa conversar. Numa emergência de saúde, ligue para o SAMU, no 192; se houver perigo imediato, 190.
Pedir ajuda não é fraqueza nem exagero. É o mesmo cuidado que você teria com qualquer pessoa querida, agora voltado para você.
Para lembrar
- Matches dependem de horário, distância, fotos e sorte, não do seu valor.
- Rejeição e sumiços fazem parte, e muitas vezes não têm a ver com você.
- Se o app faz você se sentir pior, mude a forma de usar ou faça uma pausa.
- Poucas conversas com atenção valem mais do que muitas pela metade.
- A sua vida fora do app é o que sustenta a sua autoestima.