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Fotos íntimas: como proteger sua privacidade e o que diz a lei

Por Equipe Sigilus · Atualizado em · 6 min de leitura

Trocar fotos íntimas é uma escolha entre adultos, e ninguém precisa sentir vergonha dela. O ponto é que, depois de enviada, a imagem sai do seu controle. Aqui você vê como decidir com consentimento, como reduzir os riscos se decidir enviar e o que a lei brasileira prevê se algo der errado.

Primeiro, consentimento dos dois lados

A regra mais importante é simples: só envie se a outra pessoa pediu e se você quer enviar. As duas coisas precisam ser verdade ao mesmo tempo.

Pedidos de fotos logo no começo da conversa, vindos de perfis que você mal conhece, também são um padrão comum de golpes em apps de namoro. Quanto menos você conhece a pessoa, mais vale esperar.

Os riscos reais depois do envio

Conhecer os caminhos pelos quais uma imagem pode escapar ajuda a decidir melhor. E vários deles nem dependem de má-fé.

Esses cuidados valem para os dois lados. As fotos que você recebe também merecem proteção: galeria com bloqueio, nada de álbum compartilhado com a família e nada de mostrar para ninguém.

Se decidir enviar, dificulte a identificação

A melhor proteção é uma imagem que, se escapar, não leve até você. Antes de enviar, olhe a foto como um desconhecido olharia.

E os metadados?

Fotos tiradas no celular podem guardar, dentro do arquivo, a data, o modelo do aparelho e a localização exata de onde foram feitas. Nem todo app remove esses dados antes de entregar a imagem.

Para evitar surpresas, desligue a localização da câmera. No iPhone, o ajuste fica em Ajustes → Privacidade e Segurança → Serviços de Localização → Câmera. No Android, a opção costuma ficar nas configurações do próprio app de câmera. O guia de privacidade em apps de namoro mostra o que mais as suas fotos podem revelar.

"Ver uma vez" ajuda, mas não faz milagre

Fotos temporárias e mensagens que se autodestroem reduzem o tempo em que a imagem fica disponível. Isso é útil: diminui a chance de ela ficar esquecida numa conversa ou num celular por anos.

O limite é que nenhum desses recursos impede um print ou uma foto da tela tirada com outro aparelho. Trate o "ver uma vez" como uma camada extra de proteção, nunca como garantia.

No Sigilus, as fotos do chat podem ser enviadas como "ver uma vez" e somem cerca de um minuto depois de abertas. A conversa pode ter timer de autodestruição e ser apagada para os dois lados. As mensagens são cifradas no servidor, mas não têm criptografia de ponta a ponta, e nada impede capturas de tela. Por isso, os cuidados acima continuam valendo.

O que diz a lei brasileira

Divulgar fotos ou vídeos com cena de sexo ou de nudez sem o consentimento da pessoa é crime no Brasil. A regra está no artigo 218-C do Código Penal, incluído pela Lei 13.718/2018.

Cada caso tem os seus detalhes. Para entender o seu, procure um advogado ou uma advogada; para registrar o que aconteceu, procure a polícia.

Menores de idade: nunca. Produzir, compartilhar ou guardar imagens sexuais de pessoas com menos de 18 anos é crime grave pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), inclusive quando quem enviou foi o próprio adolescente. Se receber algo assim, não encaminhe para ninguém, nem com a intenção de denunciar: informe o perfil ou o link à polícia, ao Disque 100 ou à SaferNet Brasil.

Se a sua foto vazou

Se alguém divulgou uma foto sua, a culpa não é sua. Quem errou foi quem expôs. Respire e siga estes passos. Se houver ameaça ou pedido de dinheiro, veja também o que fazer em casos de sextorsão.

  1. Guarde provas. Faça prints da publicação, com o endereço da página, o nome do perfil e a data, e das mensagens trocadas. Salve os links.
  2. Peça a remoção a cada plataforma. Use as ferramentas de denúncia de cada site ou rede social e informe que o conteúdo é íntimo e foi publicado sem a sua autorização.
  3. Registre um boletim de ocorrência na delegacia, pela delegacia eletrônica do seu estado ou numa delegacia especializada em crimes cibernéticos, onde houver.
  4. Busque orientação. A SaferNet Brasil orienta vítimas de crimes e violências na internet, como o vazamento de imagens íntimas. Um advogado ou uma advogada pode ajudar nos pedidos de remoção e nos próximos passos.
  5. Não passe por isso sem apoio. Conte para alguém de confiança. Se precisar conversar, o CVV atende pelo 188, 24 horas, de graça.

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